MILHO: LEILÕES NÃO VÃO BAIXAR PREÇO

26/02/2016 - Estadão Conteúdo

São Paulo, 26 de Fevereiro de 2016
Por Estadão Conteúdo

Para a Agroconsult, governo tem o instrumento mas "não o volume necessário para fazer diferença"

Os leilões de estoques públicos de milho realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não conseguirão pressionar os preços do produto no mercado interno, disse o sócio da consultoria Agroconsult, André Pessôa.

"Com um volume de 34 milhões de toneladas destinadas à exportação, não vai baixar o preço. A força da demanda internacional é avassaladora", declarou. Para ele, o governo tem o instrumento para influenciar o mercado interno (os leilões de estoques públicos), mas "não o volume necessário para fazer alguma diferença". Até o momento, a Conab já realizou três leilões de estoques públicos, com oferta de 450 mil toneladas e venda de 240 mil toneladas. Para o dia 2 de março, a Conab marcou novo pregão, no qual venderá mais 150 mil toneladas.

O que vai comandar o mercado do cereal no Brasil ao longo do ano, na sua avaliação, será o volume que os produtores do País destinarão ao mercado externo. Para ele, ainda que a ponta da cadeia que utiliza milho como insumo - principalmente criadores de suínos e aves, além de pecuaristas de leite e de corte - venha a repassar a alta do custo de produção para o consumidor final e isso acarrete queda no consumo de carnes, leites e ovos e consequentemente na demanda por milho, os agricultores que cultivam o cereal pouco se ressentirão deste movimento. "Se cair o consumo doméstico de milho em 2 milhões de toneladas, o produtor vai exportar este volume. Para ele não fará diferença", afirmou.

Uma das medidas que vêm sendo adotadas pelas indústrias consumidoras do grão, contou, é a compra antecipada da safrinha, que será colhida a partir de julho. "A maior parte dos grandes consumidores de milho se posicionou de forma diferente da adotada nos últimos anos, que era da mão para a boca. Eles estão acompanhando o que as tradings já fazem", explicou.

Para Pessôa, os mais prejudicados pelo atual cenário de preços do milho são as empresas pequenas não associadas a cooperativas e as médias. Isso porque, no ambiente atual de crédito escasso e caro, elas se veem sem capital para comprar o grão com antecedência. "No médio prazo, a única possibilidade de ajuda diz respeito à infraestrutura logística do País, encontrar formas mais baratas de trazer o milho do Centro-Oeste para as regiões de consumo", complementou.


Rodovia SC 401, Km 5, nº 4850 - Loja E-23/30
Cep 88032-005 - Florianópolis - SC
Fone: (48) 3209-1650 - agroconsult@agroconsult.com.br

Av. General Furtado do Nascimento, 740, cj 19 - Alto de Pinheiros
Cep 05465-070 - São Paulo - SP
Fone: (11) 2579-6110 - agroconsult@agroconsult.com.br